Livro I, Cap. 1 — Da Imitação de Cristo e do Desprezo das Vaidades do Mundo
Quem me segue não andará nas trevas, diz o Senhor. São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos admoestados a imitar sua vida e seus costumes, se quisermos ser verdadeiramente iluminados e libertos de toda a cegueira de coração.
Seja, pois, o nosso maior esforço meditar na vida de Jesus Cristo.
De que te aproveitará discorrer profundamente sobre a Trindade, se não tens humildade, e és, assim, reprovado pela Trindade? Não fazem santo nem justo as profundas palavras, mas a vida virtuosa. Prefiro ter contrição do que ser hábil na sua definição.
Se soubesses de cor toda a Bíblia e os adágios de todos os filósofos, que te aproveitaria isso sem a caridade e a graça de Deus?
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, exceto amar a Deus e servir somente a ele.
A mais alta sabedoria é arredadar o mundo do desejo de ganhar o reino dos céus. É vaidade, pois, o buscar riquezas perecedouras e nelas pôr a esperança. É vaidade desejar honras e elevar-se a grandes dignidades. É vaidade seguir os apetites carnais e desejar o que depois te dará grande pena. É vaidade pedir longa vida e pouco cuidar da vida boa.
Quem me segue não andará nas trevas, diz o Senhor. São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos admoestados a imitar sua vida e seus costumes, se quisermos ser verdadeiramente iluminados e libertos de toda a cegueira de coração.
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